• Vilso Santi

Pesquisador do Amazoom é aprovado em três cursos de doutorado em Comunicação

Atualizado: 22 de dez. de 2021

O estudante concluiu o mestrado em Comunicação nesta segunda-feira (20)

Bryan Araújo foi aprovado em três doutorados em Comunicação para ingresso em 2022

Aos 25 anos, o roraimense Bryan Chrystian da Costa Araújo, pesquisador do Amazoom e recém-mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), foi aprovado em três cursos de doutorado em Comunicação para ingresso em 2022.


O pesquisador, até a publicação desta matéria, havia sido aprovado para o Doutorado em Comunicação na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), na Universidade Federal do Ceará (UFC) e também na Universidade Federal da Bahia (UFBA).


Além da aprovação nas três instituições, o jovem ainda teve o projeto de pesquisa aprovado e aguarda o resultado final na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Universidade Federal do Pará (UFPA) e na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).


"Ao ver minha primeira aprovação, não acreditei, achei que estava sonhando, principalmente devido à minha colocação, que foi em 1º na UFC. Mas as maiores surpresas vieram quando comecei a ser aprovado em outras instituições. A cada resultado aprovado, eu me sentia surpreso e feliz. Ainda não caiu totalmente a ficha", contou.


Bryan conta que todas as aprovações foram conquistadas na primeira tentativa dele, aos 24 anos. Ele credita o sucesso ao trabalho desenvolvido na Iniciação Científica e também à participação nas atividades no grupo de pesquisa Amazoom - Observatório Cultural da Amazônia e Caribe durante a graduação.


"Eu sei que não teria conseguido essas aprovações se não tivesse participado das atividades e discussões promovidas no grupo de pesquisa Amazoom, que foi uma verdadeira escola para mim no que diz respeito a pesquisa acadêmica em Comunicação. Definitivamente, sem o espaço promovido e oportunizado pelos grupos de pesquisa, eu não teria terminado o mestrado e nem sido aprovado no doutorado", explicou.


O estudante credita ainda as aprovações ao apoio dos professores, da família e amigos que sempre o incentivaram na pesquisa acadêmica em Comunicação.


"Essa aprovação não é uma conquista só minha, sei disso. Tudo o que consegui até agora foi devido ao suporte que recebi de outras pessoas, dos colegas de universidades, mas principalmente do meu orientador, o professor Vilso Santi, que sempre me incentivou a publicar artigos e a participar das seleções de doutorado", relatou.


Bryan Araújo sempre estudou em instituições de ensino públicas e concluiu o mestrado em Comunicação na Universidade Federal de Roraima (UFRR).


De acordo com o pesquisador, devido aos desafios e à falta de programas de pós-graduação no Norte do país, ainda são poucos os estudantes de escolas públicas que conseguem conquistar uma vaga em um curso de Doutorado ou ao menos concluir a graduação.


"Para um estudante de escola pública, passar no vestibular para cursar a graduação já representa um sonho, alcançar o doutorado então é algo inimaginável. Quando estamos na escola, ninguém diz para a gente que essas coisas são possíveis, que você pode conquistar algo assim, que isso ao menos existe enquanto uma possibilidade. Parece que há uma barreira invisível que te impõe certas regras do que você pode alcançar e do que pode fazer quando se é estudante de escola pública, principalmente quando é alguém do Norte do país, onde as barreiras são também geográficas", esclareceu.


Em razão disso, Bryan defende um maior investimento na educação no país com incentivos para que os jovens possam estudar e produzir ciência sem precisar se preocupar com o que vai comer no dia seguinte ou como vai pagar a passagem de ônibus.


"Não há como negar que as universidades ainda hoje são espaços feitos para pessoas que possuem muito dinheiro. Quando pensamos no cenário de desmonte da educação no país e no contexto pandêmico, isso fica ainda mais evidente. O restaurante universitário e a biblioteca estão fechados há mais de um ano e os estudantes não têm onde comer e nem mesmo estudar. Sei que estamos em uma pandemia, mas é preciso pensar também quais as condições que as pessoas possuem para produzir ciência e estudar, minimamente", disse.


O estudante lembra ainda que a Universidade pública deve oferecer as mesmas condições a todos. "Não quero ser o único aprovado no doutorado, quero que essa realidade seja a mesma para outros estudantes de escolas públicas do Norte do país. Mas, se não temos onde estudar e comer, a única coisa que podemos fazer é trabalhar para conseguir ao menos sobreviver", concluiu.

288 visualizações0 comentário