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Período de seca quebra recordes e marca o final do ano em Roraima

Atualizado: 9 de out. de 2023

O Estado passa por eventos climáticos extremos com a consolidação do fenômeno El Niño e as mudanças climáticas na Amazônia.


Por Allyne Bentes e Laura Silvestre

Imagem: gráfico de Boa Vista - RR por INMET


Em Roraima, alguns indicadores apontam um período seco para os meses de Agosto, Setembro, Outubro e Novembro com chuvas abaixo da média e temperaturas mais elevadas que o habitual. Também há muitos focos de calor, sugerindo a ocorrência de incêndios florestais e queimadas na região. É Importante ressaltar que eventos desse tipo podem ter graves consequências para o meio ambiente, a saúde da população e a agricultura local.


A ocorrência simultânea de dois fenômenos na Amazônia podem explicar a falta de chuva no Estado. O El Niño - geralmente ocorre no final do ano - representa o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, mas as águas do Atlântico Tropical norte também estão aquecendo, ocasionando na inibição da formação de nuvens.


“O evento do Atlântico Tropical Norte está se somando ao El Niño. Dois eventos ao mesmo tempo são preocupantes. Tivemos isso entre 2009 e 2010, que foi a maior seca registrada na bacia do rio Negro nos últimos 120 anos”, explica o meteorologista Ricardo Senna, responsável pelo monitoramento da bacia amazônica no INPA.

Além disso, devido às mudanças climáticas deixarem os fenômenos naturais mais intensos, o El Niño chega em Roraima após o Estado passar por um longo período com a presença da La Niña que é um fenômeno oceânico de resfriamento das águas superficiais nas partes central e leste do Pacífico Equatorial, o que provoca um aumento de chuvas "Passamos por La Niña por 3 anos consecutivos, um fato raro de acontecer, geralmente é somente 1 ano, às vezes de 2 em 2 anos. É a primeira vez que aconteceu no século e desde os primeiros registros do fenômeno é apenas a 3 vez que ocorre algo assim" Explica o meteorologista Diretor de recursos hídricos da (FEMARH-RR), Ramón Alves Martins.


De acordo com o Comandante geral do Corpo de Bombeiros de Roraima, o Coronel Anderson Matos, foi registrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que o mês de Agosto do ano de 2023 superou a máxima histórica em focos de calor que anteriormente era de 47, neste ano passou a medir 78 focos. "São dados que nos preocupa, considerando que o mês de agosto é um período que teoricamente não teríamos tanto identificação de incêndios, são 25 anos que não víamos isso" esclarecer o Coronel. Já em setembro a máxima histórica é de 148 e até o momento foram registrados 108 focos de calor. Agosto quebra também o recorde de mínima pluviométrica com 21 milímetros (mm) de chuva de uma média de 200 milímetros (mm). O segundo menor número já marcado no mês nos últimos 63 anos em Roraima. O menor total registrado foi 9,1 milímetros (mm) em 1972.


O comandante também destaca a importância das Leis federais e estaduais para combater e até mesmo prevenir incêndios. Essas leis são:


  • Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605):Trata das questões penais e administrativas no que diz respeito às ações nocivas ao meio ambiente, concedendo aos órgãos ambientais mecanismos para punição de infratores, como em caso de crimes ambientais praticados por organizações. A pessoa jurídica, autora ou co-autora da infração, pode ser penalizada, chegando à liquidação da empresa, se ela tiver sido criada ou usada para facilitar ou ocultar um crime ambiental. A punição pode ser extinta caso se comprove a recuperação do dano.

  • Lei de Fauna (Lei 5.197): Proporciona medidas de proteção à fauna. Ela classifica como crime o uso, perseguição, captura de animais silvestres, caça profissional, comércio de espécies da fauna silvestre e produtos originários de sua caça, além de proibir a importação de espécie exótica e a caça amadora sem autorização do IBAMA. Criminaliza também a exportação de peles e couros de anfíbios e répteis.

  • Novo Código Florestal Brasileiro (Lei 12.651): Dispõe sobre a preservação da vegetação nativa e revoga o Código Florestal Brasileiro de 1965, determinando a responsabilidade do proprietário de ambientes protegidos entre a Área de Preservação Permanente (APP) e a Reserva Legal (RL) em preservar e proteger todos os ecossistemas. O Novo Código Florestal levanta pontos polêmicos entre os interesses ruralistas e ambientalistas até os dias de hoje.


Consequências


A profundidade dos riscos associados às queimadas na Amazônia estende-se para além dos impactos imediatos. O desmatamento acelerado resulta em perda da biodiversidade, alterando habitats e ameaçando espécies já em risco de extinção, os incêndios liberam enormes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera, intensificando o efeito estufa e contribuindo para as mudanças climáticas globais. Também há a alteração do ciclo hídrico da região, decorrente da perda de cobertura florestal, que pode levar a secas mais prolongadas e frequentes, comprometendo rios e reservatórios essenciais para milhões de pessoas. A degradação desse ecossistema vital ameaça não apenas a Amazônia, mas tem implicações globais, dada a sua importância no equilíbrio climático mundial.


O calor intenso combinado com as queimadas na Amazônia cria um cenário alarmante para a saúde pública, principalmente no que diz respeito a problemas respiratórios. A fumaça das queimadas contém uma mistura tóxica de partículas finas, gases poluentes e compostos orgânicos que, quando inalados, podem provocar e agravar doenças como asma, bronquite, pneumonia e outras afecções respiratórias. Esse quadro é especialmente perigoso para grupos vulneráveis, como crianças, idosos e aqueles com condições médicas preexistentes. Além disso, as elevadas temperaturas e a fumaça reduzem a visibilidade, afetando a segurança no trânsito e aumentando o número de acidentes.


"Por o calor aumentar nosso metabolismo e consumirmos mais a energia que nosso corpo reserva para as atividades diárias. A perda de água pelo suor e respiração se torna maior, sendo importante o aumento da ingestão de água diária, quando estamos desidratados, nos sentimos mais cansados também, bem como nossa pressão arterial fica mais baixa, além de prejudicarem as funções nos nossos corações, rins e intestinos, portanto manter-se hidratado é muito importante" pontua a médica Carla Hart.

Mas não é só Roraima que está sofrendo as consequências das mudanças climáticas, uma onda de calor assola grande parte do território brasileiro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), emitiu um alerta laranja para Roraima e um alerta vermelho para nove estados do Brasil, devido a elevadas temperaturas que estariam sendo registradas em alguns estados, sendo eles: Minas Gerais (MG), Paraná (PR), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Mato Grosso (MT), Pará (PA), Goiás (GO), Mato Grosso do Sul (MS) e Tocantins (TO). O alerta duraria do dia 17 ao dia 24 de setembro, mas de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o calor intenso e o El Ninõ pode se estender até até março de 2024.


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