• Emily Tenente

Outubro Rosa: Diagnóstico precoce não é só no mês rosa!

O Outubro Rosa é conhecido mundialmente como um mês marcado por ações relacionadas à prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, porém apesar da campanha acontecer anualmente muitas mulheres sente medo e receio de fazerem o acompanhamento.


Mesmo com o avanço da tecnologia na medicina, o principal exame de rastreamento do câncer de mama ainda é a mamografia, que apesar de permitir a detecção precoce da doença e que o tratamento seja menos agressivo, ela ainda é um procedimento cercado de tabus que acabam causando insegurança e apreensão para grande parte das mulheres.


“Existe vários receios acerca da mamografia sendo um dos principais o relato de algumas pacientes que falam que a mamografia dói o que faz outras mulheres ter dúvidas se realiza ou não o exame”, explica a médica Mastologista, Dayanne Amorim.

Dr. Dayanne Amorim - Foto: Emily Haylla

“Apesar desses pontos desconfortáveis do exame, o diagnóstico precoce do câncer de mama é um bem muito necessário, pois além da examinação ocorrer uma vez ao ano, foi feito um levantamento mundial de que o rastreamento realizado pela mamografia reduziu a morte por câncer de mama em 30%. Por isso é importante ter as informações certas sobre o procedimento, pois com ele conseguimos tratar o câncer no início tendo uma taxa de cura de 95% dos casos,” relata a médica Dayanne Amorim.

Mais os efeitos do câncer de mama, assim como os efeitos de outras doenças graves se limitam apenas à saúde física e ao bem-estar? Não! A psicóloga Lusia Barbosa explica que muitas pessoas que apresentam problemas de saúde também enfrentam problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade.


“Um fator importante é que na maioria das vezes, as mulheres não possuem medo do exame em si, mais do diagnóstico, ou seja, do que vai acontecer após, como o tratamento, as complicações cirúrgicas, efeitos colaterais dos medicamentos, a questão da mastectomia que muitas vezes é necessário”, diz a psicóloga.

A psicóloga ainda explica que as experiências de outras mulheres que passaram pela luta do câncer de mama permeiam ainda mais as inseguranças que cercam o exame da mamografia seja pela forma como procedimento é feito ou pelo medo de uma possível notícia negativa.


“Embora esses medos que rodam essa situação sejam compreensivo, muitas mulheres ficam tão sobrecarregadas com esse temor e ansiedade de fazerem esse exame, que acabam adiando ou não fazendo, então o acompanhamento psicológico é necessário e importante nessa trajetória, pois embora o medo seja normal à persistência dele pode ser altamente debilitante e desconfortável para as mulheres que vão realizar o exame ou o tratamento”, reforça a psicóloga Lusia Barbosa.


Conheça a história de uma professora que enfrentou e venceu o câncer de mama


A professora e secretária Municipal de Assistência Social de Pacaraima, Antônia Ferreira de Souza, 56 anos, conta que em fevereiro de 2012 havia realizado o exame de mamografia algo que ela fazia todo ano desde que completou quarenta anos, mais o resultado não haviam dado nada.


- Em março daquele mesmo ano eu percebi uma vermelhidão no meu seio e aquilo começou a me incomodar, foi quando eu procurei o médico novamente onde ele até se assustou, pois só tinha um mês que eu havia feito à mamografia e não tinha dado nenhuma alteração. Então eu realizei um ultrassom e uma pulsão e novamente os exames constataram que estava tudo normal, porém a vermelhidão permanecia- relata Antônia.


A professora conta que buscou outra opinião médica e sua próxima consulta ficou para o dia 18 de abril do mesmo ano. Novamente o médico analisou os exames que ela tinha e permanecia o resultado de que estava tudo certo. “O médico pediu para fazer outro ultrassom, foi quando por meio dele ele encontrou um possível nódulo cancerígeno. Naquele momento eu estava com minha filha e confesso que fiquei sem reação e não disse nada. Minha filha se desesperou e o médico começou a acalmá-la e eu só consegui ficar em silencio, ele pediu para fazer uma biópsia para ter certeza. Fiz a biópsia pela parte da tarde do dia 18 mesmo e depois de cinco dias o resultado chegou e confirmou o câncer de mama”, explica a professora.


Antônia confessa que naquele momento o seu mundo desabou mais que o apoio e a união da sua família a fez ter força para começar a outra etapa do tratamento que não era fácil devido a sua agressividade.


-Nunca tinha feito nenhuma cirurgia, pois tinha muito medo, mais no momento que o médico explicou que teria que fazer uma operação tinha fé e confiança de que ia vencer essa luta. Minha operação foi dia 30 de abril e minha primeira quimioterapia foi dia 30 de maio, após um mês da cirurgia. - descreve.


Antônia diz que é muito grata e agradece por ter descoberto o câncer de mama a tempo, pois ela já enfrentou e curou-se e ainda deixa uma mensagem para que as mulheres nunca percam a fé, acreditar, seguir as recomendações dos médicos e principalmente procurar apoio com os familiares.


“A gente tem que acreditar que vai estar curada e que vai dar certo; é importante ter este pensamento. Olhar para frente e ver que tudo isso passa, eu mudei meu jeito de ver a vida, pois está viva para contar minha história é um milagre, passei a dar importância para coisas que não valorizava antes”, revela a professora.
Foto: Arquivo pessoal

Então, a recomendação que fica para as mulheres, é que se deve cuidar do corpo, fazer sempre o autoexame e, além disso, procurar o médico para realizar os exames de rotina e participar dos eventos que promovem esta conscientização.


Por: Emilly Duarte e Emily Tenente