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MerendaRR compartilha conhecimentos para ajudar Associações de Roraima a transformar boas ideias em projetos possíveis

  • Foto do escritor: Amazoom
    Amazoom
  • 19 de mai.
  • 4 min de leitura

Promovida pelo Centro de Apoio aos Municípios (CAM) da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), formação reúne especialistas, universidade e lideranças comunitárias para orientar regularização de entidades, organização institucional e captação de recursos.



Nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, quando o dia ainda ajeitava sua luz sobre Boa Vista, representantes de associações, técnicos, estudantes e pesquisadores se reuniram no Auditório do Centro de Apoio aos Municípios (CAM) da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), para uma capacitação com uma missão simples de dizer, mas difícil de realizar: ajudar entidades comunitárias a saírem do mundo das ideias soltas e entrarem no terreno firme dos projetos mais estruturados.


Oficina de Capacitação para Associações foi promovida pelo CAM com o objetivo de orientar associações sobre três passos decisivos para acessar políticas públicas, editais e financiamentos: manter a documentação regularizada, organizar a gestão interna e elaborar projetos capazes de disputar recursos. A programação incluiu credenciamento, abertura, pronunciamentos institucionais, oficinas práticas e encerramento com agradecimento aos apoiadores e participantes.


Ao longo da atividade, os participantes acompanharam três momentos formativos. O advogado Olavo Brasil Neto abordou o tema Regularização e Organização de Entidades. A administradora Simone Peres do Nascimento, trabalhou o Plano de Gestão para Organizações. Já a professora Dra. Leila Baptaglin, da Universidade Federal de Roraima (UFRR), conduziu a oficina sobre Elaboração de Projetos e Captação de Recursos.


A oficina nasceu de uma constatação prática. Em uma ação anterior realizada pelo MerendaRR em parceria com o CAM, voltada ao apoio de associações interessadas em acessar editais, ficou evidente que muitas entidades tinham boas intenções, mas ainda encontravam dificuldades para transformar essas intenções em propostas consistentes. Como quem chega diante de uma porta, mas ainda não encontrou a chave certa, as associações esbarravam em documentos pendentes, ausência de planejamento, dificuldades de escrita e pouca familiaridade com a linguagem dos editais.


A professora Leila Baptaglin lembrou que, naquela experiência anterior, ficou clara a necessidade de uma formação mais específica sobre elaboração de projetos. Segundo ela, muitos interessados apresentavam ideias ainda vagas sobre o que gostariam de realizar com os recursos.

“Identificamos que os interessados nos editais tinham ideias muito vagas do que realizar com os recursos. Por isso pensamos na oficina de elaboração de projetos para que eles pudessem estruturar melhor e com mais tempo suas propostas. Isso aumenta as chances de aprovação”, destacou.
Profa. Leila Baptaglin na oficina sobre Elaboração de Projetos e Captação de Recursos. Foto: Marília Carvalho.
Profa. Leila Baptaglin na oficina sobre Elaboração de Projetos e Captação de Recursos. Foto: Marília Carvalho.

A fala de Leila ajuda a explicar o coração da formação: não basta ter uma boa causa; é preciso saber narrá-la em forma de objetivo, justificativa, metodologia, orçamento, cronograma e resultado esperado.


Em outras palavras, a oficina mostrou que projeto também é uma forma de contar uma história – só que uma história com documentos, metas, prazos e responsabilidade pública.


A acadêmica Marília Fonseca de Carvalho, que acompanhou a ação, observou a proximidade entre a estrutura dos projetos de investigação acadêmica e a dos projetos voltados à captação de recursos.


A percepção aponta para uma ponte importante: o conhecimento produzido na universidade pode ajudar associações, agricultores familiares e organizações comunitárias a sistematizar suas demandas, organizar suas propostas e disputar com mais segurança os recursos disponíveis.




"A oficina ministrada pela professora Leila foi um espaço importante de troca de conhecimentos sobre como estruturar projetos para editais da agricultura familiar. O encontro reuniu teoria e prática de forma dinâmica, ajudando os participantes que já tinham boas ideias a transformá-las em propostas escritas - Marília Carvalho.

Conforme Marília, durante o evento, a professora explicou detalhadamente o passo-a-passo de um projeto, abrangendo desde a definição dos objetivos até as formas de avaliação. Em paralelo à apresentação dos slides, o público participou de forma ativa. Os agricultores compartilharam suas vivências práticas na terra, evidenciando tanto aspectos técnicos de cultivo quanto desafios administrativos e burocráticos dos editais.


Experiências anteriores


A iniciativa também dialoga com a outra experiência do Projeto MerendaRR – Educação, Cultura e Alimento, que em abril de 2026 participou de uma ação de apoio técnico a associações e cooperativas de Roraima, também realizada na sede do CAM. Naquela ocasião, representantes de municípios como Cantá, Mucajaí e Caracaraí receberam orientações para acessar editais públicos, como o Fundo Casa e programas habitacionais vinculados ao Incra, incluindo o Minha Casa, Minha Vida.


Apesar da mobilização, aquela ação anterior também revelou obstáculos concretos. Muitas associações não possuíam documentação completa ou regularizada, como certidões, conta bancária ativa ou outros registros necessários para avançar nas inscrições. Por isso, a oficina desta terça-feira funcionou como uma espécie de segunda camada de cuidado: depois de identificar os gargalos, o CAM e os parceiros voltaram ao ponto de partida para fortalecer as entidades desde a base.

O “porquê” da ação aparece justamente aí. Em Roraima, como em muitas regiões da Amazônia, associações comunitárias, agricultores familiares e organizações locais frequentemente conhecem de perto os problemas de seus territórios, mas nem sempre têm acesso aos instrumentos técnicos exigidos pelos editais. A oficina buscou reduzir essa distância entre a realidade vivida e a burocracia escrita, entre o sonho comunitário e o formulário oficial.

Mais do que uma capacitação pontual, a atividade reforça uma articulação entre CAM, ALE-RR, UFRR, CEACAM, MerendaRR e Associações locais. Essa rede de apoio tenta fazer com que a política pública não permaneça como um fruto alto demais, pendurado em uma árvore burocrática que poucos conseguem alcançar.


Para todos a ação deixa uma lição importante já que por trás de uma oficina de projetos existe uma disputa silenciosa pelo direito de existir institucionalmente. Uma associação regularizada não é apenas um CNPJ em dia; é uma comunidade que ganha voz, endereço, conta, papel timbrado e possibilidade de disputar recursos. É a ideia que deixa de ser fumaça e começa a ganhar corpo.


No fim, a Oficina de Capacitação mostrou que captar recursos não é apenas preencher formulários. É aprender a organizar desejos coletivos, traduzir necessidades em propostas e transformar a energia das comunidades em caminhos possíveis de desenvolvimento.


Em uma Amazônia onde muitas histórias ainda ficam fora dos editais, a oficina ensinou que escrever um projeto pode ser, também, uma forma de abrir caminhos.


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