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Música pode ter impacto social e ainda auxiliar no tratamento de síndromes

Atualizado: 21 de jul.

Por Camilla Salustiano e Cecília Veloso


Foto: Cecília Veloso


No dia a dia, a música serve como distração de uma rotina cansativa e entretenimento em momentos alegres, entretanto, sua função vai muito além, ela pode agir como uma terapia para saúde e para a alma. Dependendo de como for utilizada, a música pode ter um impacto social na vida de muitas pessoas.


Esse é o caso do projeto ‘Música Sem Fronteiras’, que acolhe diferentes culturas, nacionalidades e vozes. A iniciativa surgiu na Venezuela e atua em Roraima há quase um ano. Segundo o coordenador Carlos Rodrigues, o intuito do projeto é acolher outros povos indígenas que estão migrando para o estado, além de ressaltar a importância da música na vida de todos.


“Hoje temos uma orquestra indígena em Boa Vista, onde ensinamos aulas de canto, violino, violão, violoncelo, contrabaixo, piano e viola. Esse projeto é um intercâmbio de culturas, com diferentes povos, assim como a música é só uma língua, não tem cor e nem fronteira, é para todos. Essa é a nossa missão, representar os povos indígenas em geral. Além de impulsionar o talento dos nossos alunos, nós incentivamos eles a estudarem”, explica.

O projeto reúne diferentes povos indígenas, como pemon kamarakoto, pemon taurepang, arekuna, warao, eñepa, e migrantes da Venezuela, sendo a maioria crianças de sete a oito anos de idade.


“Em nosso polo de Boa Vista, nós temos 30 alunos. Como são diferentes culturas e idiomas, alguns estudantes são mais tímidos, então a gente tem o trabalho de integrar e acolher todos, além de compartilhar a cultura e comida”, enfatiza o coordenador.

Foto: Arquivo pessoal


Sulmye Rodriguez, mãe da Suliandry Rivero, que participa do projeto musical, afirma que o esse ajudou no desenvolvimento pessoal e musical da filha em sua língua materna, o idioma taurepang.


“Minha filha participa do projeto há cerca de oito meses, ela faz aula de violino, instrumento que já toca há três anos. Nesse tempo em que ela passou frequentando lá, eu percebi que ficou mais responsável e disciplinada”, diz.


No projeto, além da música, as crianças também aprendem sobre empreendedorismo, pois realizam vários tipos de artesanato. Os acessórios são vendidos para manter o local em funcionamento.


Música e saúde


A experiência musical também pode ser utilizada como forma de terapia para ajudar no desenvolvimento de pessoas com Síndrome de Down, Transtorno do Espectro Autista (TEA), paralisia cerebral, deficiência intelectual, além de Alzheimer e Parkinson. É o que diz a musicoterapeuta Vânia Moura.


“A música é por definição a arte que tem domínio dos sons, do belo. Ela é uma das poucas atividades que faz com que todo o cérebro entre em ação. Sendo assim, são muitos os estímulos que alcançamos através dela, que ainda é prazerosa”, esclarece.

Foto: Arquivo pessoal


A partir do uso de violão, teclado, instrumentos de percussão e outros objetos alternativos, a musicoterapia consegue explorar a capacidade humana e pode ser útil para diversos públicos, como gestantes, idosos, pessoas com problemas motores, ansiedade, depressão ou com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).


“Um dos resultados mais rápidos que tive foi com um menino, que tinha TDAH. Em um mês de terapia, a mãe me mandou um áudio dizendo que ela viu uma mudança muito grande no filho, principalmente na questão da ansiedade, que havia reduzido, deixando ele mais calmo, concentrado e autoconfiante”, comenta a profissional.


Foto: Arquivo pessoal


Pedro Henrique Sales, de quatro anos, faz terapia com Vânia há cerca de um ano. O menino tem um diagnóstico de Síndrome de Down, autismo e hemiparesia à esquerda. De acordo com a mãe, Adeline Moreira, as sessões de musicoterapia trouxeram mais benefícios para o filho do que ela esperava.


“O Pedro sempre amou música, ele ‘canta’, da forma dele, claro, mas muitas vezes ele fica emitindo sons como se fossem uma sequência de música. Eu sabia que ele ia ter muito auxílio no hipocampo, que a música ia ajudar ele a guardar memórias, o que demora um pouco para casos de deficiência intelectual e motora. Hoje em dia, ele faz os movimentos dos intrumentos antes de serem tocados, como se reconhecesse a música”, disse.






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