• Laura Alexandre

Ex-professor e atriz de teatro falam sobre os benefícios do teatro e de suas trajetórias na área

Por: Camilla Cunha e Laura Alexandre


O Dia Nacional do Teatro é comemorado no dia 19 de setembro com o objetivo de homenagear uma das manifestações artísticas mais antigas da humanidade, em especial os artistas brasileiros desta área. A primeira forma de teatro surgiu no Oriente, apesar de ser um conceito de teatro relacionado com rituais religiosos. O teatro como forma de arte surgiu na Grécia Antiga.


Segundo o ex-professor de teatro Marcelo Perez, o teatro possibilita o indivíduo a se perceber dentro do espaço em que está inserido, de forma criativa e questionadora.



“O teatro está presente e precisa ser mais valorizado” (Foto: Arquivo pessoal)


“Ele propõe ao mesmo tempo discutirmos a realidade do ponto de vista filosófico e histórico, diante de um distanciamento ficcional”, complementa.

Ele frisa que por conta da data podemos lembrar que o teatro está presente e precisa ser mais valorizado.


“O teatro está vivo! Ele está sempre presente em nossas vidas. Precisamos de mais políticas públicas para a arte, nas esferas Nacional, Estadual e Municipal. E, o principal, sem público não existe teatro. Às vezes assisto a espetáculos com pouco público, parece mais um exercício de resistência dos artistas. Vale a reflexão sobre o tema.


E em Roraima, a carreira artística no teatro se torna difícil, segundo o ele, pois não existe um espaço que oferte oficinas regulamente.


“Sem isso, o artista fica refém apenas de sua paixão, mas sem desenvolver técnicas, sem avançar seus processos criativos. Precisamos de teatro nas escolas, mas não as “pecinhas” em datas comemorativas, universidades e cursos regulares de formação”, sugere.



(Foto: Arquivo pessoal)


O ex profissional comenta que na sua época de professor a procura para fazer teatro não era tanta, mas que as pessoas procuravam fazer teatro para ocuparem seu tempo ou por se identificarem com algum grupo teatral.


“Quando dei aulas de 2004 a 2014 na [Companhia do Lavrado], grupo de teatro relevante no estado de Roraima, as pessoas buscavam a oficina por se identificarem com as ações teatrais do grupo ou buscavam de fato o teatro. Já em instituições como o Sesc e o Sesi a procura não se limitava ao gosto pelo teatro, pois muitas vezes alunos/as eram matriculados/as na oficina para ocuparem um tempo de sua rotina diária”, conta Perez.


Perez garante que os tipos de peça que mais chamam a atenção do público dependem de cada tipo de grupo social e que e em Roraima, o público se interessa muito por comédia.


“As pessoas vão ao teatro esperando encontrar algo parecido com a televisão, cinema, stand-up. E isso é um reflexo justamente da falta de ida ao teatro”, diz.

Ele frisa ainda sobre as dificuldades que encontrou no início da sua carreira de professor teatral que, segundo ele, a maior dificuldade foi a impossibilidade de manter uma regularidade de oferta de oficinas de teatro.


“Por conta do mercado limitado ou a ausência dele, existia a necessidade de exercer outra função profissional, isso dificultava muito o investimento total na carreira.


E sobre as dificuldades de seus antigos alunos, ele acredita que a interpretação do cotidiano por meio da linguagem semiótica do teatro era a principal delas.


“Isso é um problema da nossa educação, mas como citei anteriormente, sem escolas de formação não temos mercado, por isso, temos baixa oferta de espetáculos, fraco interesse pelo público e consequentemente muitos dos que frequentam o teatro esperam encontrar algo mastigado como na televisão. Mas perceber a mudança causada pelo impacto do teatro na vida dos/as meus/minhas alunos/as é gratificante” complementa.


Na opinião do ex-professor, o que falta para o teatro ser melhor valorizado na sociedade é a maior oferta de espetáculos. E em Roraima, não existem continuas apresentações teatrais e plateia suficiente.


“No Brasil, ele é valorizado em estados em que há maior oferta de espetáculos. Geralmente, esses estados têm maior investimento tanto da iniciativa pública quanto privada, pelo fato de suas apresentações atraírem o público. No caso de Roraima, não temos uma cena contínua de produções teatrais, apenas períodos de efervescência, que não são suficientes para o fortalecimento de uma plateia. Entretanto, temos público, o público roraimense gosta de teatro.


Os espetáculos de teatro de rua da Cia. do Lavrado lotavam as praças de Boa Vista. O que não temos é mercado, organização de grupos, investimento público e privado e, principalmente, escolas de formação”, cita.


O teatro no ponto de vis