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Entre drenagem e lixo: Igarapés de Boa Vista sofrem com risco de poluição

Atualizado: 5 de jul.

Anualmente são retirados toneladas de lixo dos rios e nos igarapés urbanos não é diferente.


Por: Grazielly Maia e Daniela Ester


Foto: Grazy Maia

No início da tarde de terça-feira (14), a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (FEMARH) recebeu denúncia de possível poluição do igarapé localizado no bairro Mecejana, em Boa Vista. Imagens começaram a circular nas redes sociais após um morador perceber a coloração avermelhada da água.


Em torno do igarapé que interliga algumas avenidas centrais da capital de Roraima, foi possível perceber o tamanho do descaso. Pilhas de lixos foram encontrados no local, além de canos de esgoto residencial ligado diretamente ao igarapé.


De acordo com o chefe de divisão de fiscalização da Femarh, Yuri Lima.

a coloração avermelhada pode ser proveniente de rejeitos de construções ou de pavimentação.

Porém, a confirmação só poderá ser dada após análises da água, coletada após o recebimento da denúncia e com o laudo será possível ter real noção dos danos causados ao recurso hídrico.


Ouça a sonora do Analista Ambiental da FEMARH.



Anualmente são retiradas toneladas de lixo de rios e nos igarapés urbanos não é diferente, bem como das nascentes e da vasão das águas que correm para o principal rio do estado, o rio branco.


Importantes para a conservação da biodiversidade, os igarapés são cursos d'água que geralmente correm em direção ao rio. Além da poluição ambiental outros fatores precisam de atenção, já que a poluição impacta significativamente na condição climática, causando mudanças intensas e efeitos, gerando alterações na Amazônia como um todo (a água tem o papel fundamental na manutenção do equilíbrio e do bem-estar do ecossistema).


Com a diminuição das chuvas as florestas ficam mais secas e isso as deixam favoráveis a incêndios (a morte das árvores no entorno, gerando alteração no ciclo d´àgua impacta diretamente os rios, alterando a qualidade da água).


De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz, 3/4 do planeta é composto por esse recurso e o Sistema de Autoavaliação da Eficiência Hídrica – Saveh aponta que 75% da água do Brasil se encontra nos rios da bacia amazônica , e por essa abundância, gera-se um negligenciamento por falsa sensação de inesgotável. Entretanto a participação popular para a preservar as reservas de água doce é fundamental para garantir a existência destes recursos para as futuras gerações.


Os principais impactos ambientais relacionados a água são: eutrofização, palavra que vem do grego EU, “bom, adequado”, mais TROPHOS, “alimentação, alimento” que refere se ao aumento de nutrientes nas águas decorrente a atividades humanas; bioacumulaçao e biomagnificação, além do derramamento de petróleo.


Quando os rios recebem esgoto doméstico, esgoto industrial e fertilizantes agrícolas, que são levados pelas enxurradas, geram o processo chamado de fixiviação. Com o processo de eutrofização há o aumento significativo de bactérias anaeróbias que consomem o oxigênio, surgindo, portanto, as algas, que encobrem a superfície das águas, o que acaba por impedir a luz solar de adentrar, ocasionando a morte dos nutrientes presentes nesses ambientes.


Já o nitrogênio fósforo vindo dos agrotóxicos aumentam significativamente a quantidade desses elementos na água, o que desencadeia diversas outras consequências em série, pois o excesso de matéria orgânica em decomposição diminui ainda mais o oxigênio do ambiente, desestabilizando as cadeiras alimentares e prejudicando animais como peixes e anfíbios.


As cianobactérias que são anaeróbicas começam a metabolizar toxinas, e quando isso ocorre em reservatórios de abastecimento, pode causar diversos problemas de saúde devido à intoxicação de animais, aves, mamíferos e até mesmo os era humano. Já a bioacumulação ocorre em um nível trófico, representando uma determinada substância que não pode ser degradada, começando então o armazenamento dos tecidos e órgãos do organismo.


Enquanto a biomagnificação ocorre entre os diferentes níveis da cadeia alimentar, por exemplo, em um ambiente aquático as macrófitas são a base da cadeia alimentar, fazendo com que elas absorvam os elementos presentes na água, gerando portanto, um efeito cascata, visto que os peixes ingerem essas plantas, acumulando esses elementos em seus tecidos e órgãos, posteriormente ao serem comidos por seus predadores naturais, fazendo com que esses elementos se acumulem cada vez mais, até chegarem ao topo da cadeia alimentar.


Já o derramamento de petróleo é o impacto de difícil controle, causando prejuízos inigualáveis e acidentes dessa magnitude podem acontecer com o óleo bruto ou com seus subprodutos.


Inúmeras doenças podem ser veiculadas pela água. Segundo a Organização Mundial de Saúde, anualmente cerca de 15 mil pessoas morrem e 350 mil são internadas no Brasil devido a doenças ligadas à precariedade do saneamento inadequado. Além da difteria, a água imprópria pode causar doenças como hepatite A, febre tifóide, rotavírus, a cólera e leptospirose, entre outras.

As contaminações das águas são causadas sobretudo pela descarga de esgoto humano e animal, além de fluentes da produção animal e de áreas agrícolas e urbanas. No que tange a contaminação fecal dos cursos de água, comumente está relacionada com a chuva que aumenta o nível de escoamento superficial. Além de que, as águas doces estão mais propensas a níveis mais elevados de bactérias, e nos casos de contaminação de fundo com a poluição fecal, são mais duradouras.


Foto: Grazy Maia

A coordenação da vigilância ambiental do município de Boa Vista foi procurada e solicitamos informações sobre o recolhimento do lixo nos igarapés urbanos; o coordenador João informou-nos que além de existir um cronograma para recolhimento de lixo dos igarapés, a responsabilidade desta ação era da secretaria municipal de serviços públicos e meio ambiente, localizada no bosque dos papagaios, bairro paraviana.


Apesar de enviarmos email, várias ligações telefônicas e de forma presencial, não conseguimos confirmar esta informação com nenhum funcionário da secretaria do meio ambiente municipal até o término desta matéria.


O presidente interino da fundação, Glicério Fernandes ressalta a importância da população continuar denunciando situações de agressão a natureza. Pessoas assim são os verdadeiros guardiões do meio ambiente e unidos poderão diminuir cada vez mais os crimes contra a fauna e a flora, garantindo a qualidade da vida das populações atuais e das futuras também.




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