• Yohanna Emmelly

Doação de sangue: Único hemocentro de Roraima enfrenta baixa no estoque

De acordo com doadores, receptores e profissionais do Hemoraima, muita gente só pensa em doar quando alguém próximo precisa, e umas das principais razões para a baixa adesão é o medo pela falta de conhecimento


Por Aysha Estrada e Yohanna Menezes

Foto: Arquivo pessoal/ Marília Mesquita

Atualmente, o estoque do Hemoraima -único hemocentro do estado- está baixo para todas as tipagens sanguíneas e a unidade tem realizado chamamentos públicos para o comparecimento de doadores voluntários.


A assistente social Hellen Bessa, responsável pelo setor de captação, conta que um dos motivos para a queda nas doações é o período chuvoso, que dificulta o comparecimento dos doadores até o Hemoraima, além dos reflexos da pandemia da covid-19.


De acordo com ela, o cancelamento em massa de cirurgias eletivas durante o período de pandemia, agravou a alta procura de bolsas de sangue, já que atualmente, cerca de 50 cirurgias são realizadas por dia, exigindo uma demanda ainda maior da procura por sangue. Aliado a isso, existem períodos no ano em que o hemocentro sofre com baixo estoque.

“As dificuldades são os períodos sazonais como julho e agosto, em que temos muitas chuvas, festas juninas e período de férias. A chuva impede que as pessoas saiam de casa, seja devido os alagamentos e as contaminações, e as férias são períodos em que as pessoas normalmente se planejam para viajar”, explicou.

Além do sangue também é necessário a doação da família dos hemocomponentes como as plaquetas e as hemácias. As plaquetas possuem vida útil após a captação de 5 dias e as hemácias de 30 dias, após esse prazo deve ser realizado o descarte.


De acordo com o sistema Labovida do Hemoraima, o estado possui aproximadamente 27.500 doadores de sangue, um número que poderia ser maior, se não fosse o impacto da covid-19 nos serviços da unidade. Quanto maior o número de doadores, maiores são as chances de atender a demanda do estado.




A importância da doação na visão de doadores e receptores


Ana Karolina sofreu acidente de trânsito no último dia 18, quando quebrou o fêmur e precisou passar por uma cirurgia. Ela conta que o hospital pediu que ela conseguisse três doadores de sangue para realizar o procedimento operatório. Foi então que Ana mobilizou os familiares e amigos e, ao todo, conseguiu 28 doadores.


“Eu me acidentei às 9h da manhã e às 12h30 já tinham pessoas doando. Eu me senti a pessoa mais amada desse mundo, e não foi pelo quantitativo de 28 pessoas, mas pelo fato de alguém ter se disponibilizado a sair de casa e doar sangue para uma pessoa que é desconhecida. A gente não sabe quem doou, mas para mim com uma recebedora, eu vou ser grata a todo momento por essas pessoas”, relatou emocionada.

Agora, Ana afirma ter entendido a importância da doação e também ressalta que por mais que tenha recebido um número considerável de doações, a situação não é a mesma para todos.

“Eu vi a importância de a gente ir ao hemocentro, porque tem pessoas dentro dos hospitais que não tem ninguém para ir doar, como eu tive. O próprio hemocentro fala que não tem sangue suficiente para a quantidade de pessoas doentes. Só na ortopedia em que eu estava, tem mais de vinte salas e todo mundo ali precisa de uma cirurgia e de uma bolsa de sangue”, afirmou.
"Às vezes, a gente sem nenhum problema já pensa em desistir, imagina quem está internado aguardando uma doação e precisando até para comer? Então quem puder ir doar sangue, doe, porque é a coisa mais linda que tem. Na doação, você está dando esperança de vida para uma outra pessoa, uma esperança de que ela pode voltar a ter a vida que ela ou algo melhor” concluiu.

Escute a entrevista com Ana Karolina


Uma das 28 pessoas que doaram para Ana Karolina, foi Valdenice Souza, gerente de recursos humanos de uma empresa. Ela conta que essa foi sua primeira doação, e que antes mesmo do acidente da sua colega de trabalho, ela já estava tentando reunir a equipe de trabalho, mas alguns fatores dificultaram a ação.


Foto: Aysha Estrada

“No começo foi difícil porque tem gente que tem medo de agulha, medo de passar mal ou medo de sentir dor. Tem gente também que não quer porque infelizmente não sabe da importância de estar ajudando outra pessoa, mas é uma coisa tão simples, em 5 minutinhos que você consegue ‘tirar’ 400 ml de sangue e salvar vidas”, comentou.
“Eu imaginava que ia doer alguma coisa, mas não doeu nada. Eu saí de lá tão feliz e com a convicção de que agora eu vou me tornar doadora regular”, finalizou.

Ouça o relato completo de Valdenice


John Kelves se envolveu em um acidente de trânsito no dia 27 de março de 2021, enquanto trabalhava e acabou sofrendo uma fratura exposta no braço esquerdo e uma hemorragia interna, por isso necessitou da doação de sangue.

“Os médicos pediram para a minha família procurar um doador, porque não tinha no estoque o meu tipo sanguíneo. A minha família foi atrás e demorou mais ou menos dois dias para acharem um doador. A empresa dele [quem doou] costuma doar sangue e fizeram uma corrente lá e foram no hemocentro doar para mim. Foi através disso que eu fiz alguns processos cirúrgicos”, lembrou.
“Eu acho importante doar sangue porque assim como eu precisei no dia e não tinha e tiveram que fazer essa corrente, pedir de família e amigos, é muito importante que outras pessoas possam estar doando sangue para sempre haver estoque, porque todo dia alguém precisa, todo dia tem acidente, todo dia acontece uma fatalidade”, pontuou.

Confira agora o relato de John Kelves


“O que me motivou a doar, foi o fato de ajudar o próximo independente de quem seja. Não atrapalha o meu dia a dia ir doar, muito pelo contrário, sou bem tratada quando vou fazer a doação. É um ato muito simples que qualquer pessoa que atende os pré-requisitos pode fazer”, contou a Jornalista Marília Mesquita, que é doadora regular de sangue.

Foto: Arquivo pessoal/ Marília Mesquita

Ela também conta que é gratificante saber que sua doação irá fazer diferença na vida de alguém e ressalta que é importante todos que estiverem aptos realizarem a doação.


“É um sentimento de que eu sou útil, de que eu faço a diferença na vida de uma pessoa, que alguém vai ser beneficiado pelo simples fato de eu sair da minha casa e ir lá doar uma bolsa de sangue, que é uma bolsa de 400 ml à 450 ml, que pode mudar a vida de 3 a 4 pessoas e amanhã pode ser eu. Por isso, é importante que as pessoas se sensibilizem e se dirijam ao hemocentro e façam a doação, procurem fazer regularmente porque a unidade precisa de voluntários para ajudar o maior número de pessoas possíveis”, finalizou.

Ouça a entrevista completa com Marília Mesquita


Fique informado sobre a doação de sangue:



Homens só podem doar 4 vezes ao ano, sendo após 60 dias desde a última doação e mulheres 3 vezes, sendo 90 dias depois da última doação.


Quando o interessado chegar ao hemocentro, o doador deve direcionar-se à recepção e em seguida será encaminhado a triagem, onde precisará responder um questionário fundamental para o andamento do processo.


Assista agora a explicação completa de Hellen Bessa, responsável pelo setor de captação do Hemoraima e tire todas as dúvidas sobre a doação de sangue:







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