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Crise ou manipulação midiática?

Atualizado: 18 de Jun de 2019

Pedro Barbosa e Shigeaki Alves


Foto: Shigeaki Alves

“A crise migratória é um pretexto político para apologia a uma intervenção internacional”, afirma vice cônsul venezuelano


“Não temos recursos para garantir 100% da alimentação na Venezuela. É natural que em casos de dificuldades econômicas em um país, as pessoas migrem para os vizinhos. Entretanto, por causa da manipulação midiática retratando as pessoas com fome, falando de uma crise sem compreensão dela, faz com que o governo venezuelano seja mal visto internacionalmente, como se fossemos contrários ao nosso próprio povo, gerando esses atritos diplomáticos”


Esta é a fala do vice cônsul geral da Venezuela, Alexander Ianz, no evento “As verdades sobre a Venezuela: O que realmente está acontecendo no país?”, realizado na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), no dia 25 de abril deste ano.


Foto: Shigeaki Alves

A fala pode soar impactante, e a ideia é justamente essa na ocasião. A proposta da palestra é mostrar um ‘outro lado’ para a crise migratória venezuelana, colocando os meios de comunicação como agentes que contribuem para que haja incentivo a guerra civil ou interventoria.


Além de Alexander, professores da UFAM, como Everaldo Fernandez, de Direito, Luiz Antonio Nascimento, de Ciências Sociais e o diretor do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais, Raimundo Nonato Pereira da Silva, participaram do evento.


O professor Everaldo ressaltou a fala de Alexander, comparando a atual tensão diplomática da Venezuela com situações de guerras pós-anos 90, incentivados pela suspeita da falta de democracia em um país.


“Normalmente, existem dois aspectos que são denominados exceções para que haja uma intervenção política dentro de um país: a garantia da paz internacional e a garantia da segurança internacional. Nessa análise de exceções, a partir dos anos 90, com a diluição do antigo bloco soviético, começou a surgir com ousadia o argumento de que a democracia é fundamental para a paz. Com isso, seria justo intervir para restaurar a democracia. Só que não existe no direito internacional uma sinalização de tais perigos na Venezuela”, pontuou.

Foto: Shigeaki Alves

O vice cônsul reforça seu argumento explicando políticas socias trabalhadas pelo governo venezuelano mesmo em tempos de crise.


“Nós trabalhamos com políticas sociais na medida do possível para garantir o bem-estar dos cidadãos independente da crise ou sanções que estejam ocorrendo. Esse é o caso, por exemplo, do programa ‘De volta à pátria’, que trabalha com o retorno dos imigrantes que não conseguiram condições de sobrevivência no Brasil. Além disso, ainda garantimos a moradia para essas pessoas, são quase três milhões e meio de casas para pessoas em condições de rua, coisa que outros países não proporcionam”


Por fim, ele salientou que os imigrantes saídos do país. É uma mera questão de sobrevivência, em um país que enfrenta tempos incompreendidos pelo mundo.

Este seria, na interpretação do vice consul, a situação de Jose, o vendedor de livros na Universidade Federal de Roraima. Um cenário que não é de ódio pela nação venezuelana, mas sim de somente a buscas de conseguir meios alternativos de sobrevivência em meio à atual crise financeira do país.


“É importante salientar, na fronteira com a Colômbia mesmo, 35 mil pessoas ultrapassam a fronteira para lá, por dia. Mas os meios de comunicação não dizem que 98% dessas pessoas voltam para o país, com suprimentos. Elas estão sentindo falta de comida, mas não querem sair do país”

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