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Conferência Digital GLF Amazônia busca medidas para salvar a floresta


A conferência vai contar com a participação e representantes indígenas de Roraima A conferência acontece de 21 a 23 de setembro


A conferência GLF Amazônia se baseará nas lições aprendidas com a criação e gestão de áreas protegidas, reservas indígenas e florestas comunitárias. Os territórios na Amazônia exigem uma abordagem integrada, transfronteiriça e baseada em direitos para catalisar os esforços de restauração e conservação.

O espaço deve ser criado para que grupos indígenas, comunidades locais e instituições se conectem a processos e tecnologias globais, a fim de combinar inovações e práticas tradicionais, equilibrar desenvolvimento e conservação, além incorporar uma bioeconomia inclusiva, equitativa e sustentável nas paisagens da Amazônia.

De acordo com o documento base do evento, não é possível enfrentar a emergência climática sem a Amazônia – uma das regiões com maior diversidade cultural e biológica do planeta. Mas, por outro lado, a floresta tropical amazônica não é mais um sumidouro de carbono. Pelo contrário: agora ela emite um bilhão de toneladas a mais de carbono do que absorve a cada ano; para isso é preciso que se busquem soluções de dentro pra fora.

No período de 21 a 23 de setembro mais de 250 cientistas, formuladores de políticas, ativistas, jovens, investidores, profissionais da área de conservação da natureza, comunidades locais, grupos afrodescendentes e indígenas e jornalistas, estarão conectados; são mais de 75 organizações locais e globais pensando a conservação da Amazônia.

O evento será realizado deforma online e contará com palestras de indigenas de Roraima, que atuam na questão de gestão e ambiental em suas comunidades. Uma das presenças confirmadas é de Sineia do Vale é gestora ambiental, coordenadora do Departamento Gestão Ambiental do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e foi a Coordenadora da Câmara Técnica de Mudanças Climáticas do Comitê Gestor da PNGATI.

Há mais de 10 anos acompanha as discussões climáticas no âmbito regional, nacional e internacional da UNFCCC, focada na agenda indígena e a implementação de ações em nível local. Sua atuação é focada nas ações ambientais e territoriais locais e como elas podem ser incluídas dentre de políticas públicas climáticas apropriadas aos povos indígenas.

Sineia também é a organizadora da primeira publicação indígena brasileira sobre enfrentamento às mudanças climáticas: Amazad Pana’Adinham: percepção das comunidades indígenas sobre as mudanças climáticas, Região Serra da Lua – RR. Além disso, Sinéia também é responsável pela elaboração de diversos planos de gestão ambiental e territorial das Terras Indígenas de Roraima.

Outra convidada é Joênia Wapichana é a primeira mulher indígena eleita deputada federal no Brasil. Natural da comunidade indígena Truaru da Cabeceira, do povo indígena Wapichana, Joênia é formada em Direito e atuou no departamento jurídico do Conselho Indígena de Roraima (CIR) por 22 anos.

Em sua trajetória participou e ocupou vários espaços de discussão nacionais e internacionais, como o Conselho Nacional de Biodiversidade (Conabio), as discussões sobre a Declaração dos Direitos Humanos da ONU e as Conferências das Partes sobre Clima – COPs. Em 2008 também foi a primeira indígena advogada a fazer uma sustentação oral no Supremo Tribunal Federal com o caso da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Foi conselheira do Fundo Voluntário da ONU para Povos Indígenas e ganhou o Prêmio de Direitos Humanos da ONU em 2018.

Também vai falar na conferência Dario Kopenawa, vice presidente da Hutukara Associação Yanomami, liderança indígena e professor de educação intercultural bilíngue. Desde 2020, Dario vem denunciando a invasão da terra de seu povo por garimpeiros ilegais.

Ele é o filho mais velho de Davi Kopenawa Yanomami, líder conhecido em todo o mundo pela defesa dos direitos do povo Yanomami. Dário segue os passos do pai, e começou sua luta ainda jovem quando, de 1997 a 1999, ele tornou-se professor em sua comunidade, encabeçando o projeto de educação intercultural bilíngüe com grande ênfase na valorização da escrita da língua Yanomami. Em 2004 ele se tornou o responsável pela escola em sua comunidade, e ao mesmo tempo se juntou ao conselho de administração da Hutukara Associação Yanomami , da qual seu pai é o presidente. Dário foi um dos participantes no curso de formação dos professores Yanomami desenvolvido pela CCPY. Ele esteve em visitas de intercâmbio com outros povos indígenas no Brasil, visitando estado do Amapá (2000), o Parque do Xingu (2002), o Makuxi e Wapixana, em Roraima (2002 e 2004) e os povos indígenas no Acre (2006). Ele também participou também nas assembléias da COPIAM (Comissão dos Povos Indígenas do Amazonas, Acre e Roraima) em 2000, e OPIR (Organização dos Professores Indígenas de Roraima) em 1999 e 2007. Em 2002, ele fez parte de um grupo dos professores Yanomami que, juntamente com representantes da CCPY, viajram para Boston nos EUA para uma série de conferências nas escolas e universidades. Em 2003, em Paris, ele deu palestras para estudantes franceses durante a abertura da Exposição dos Yanomami na Fondation Cartier. Durante o mesmo viagem, ele viajou para a Itália a convite da Survival Internacional Itália, onde se encontrou com políticos e estudantes.





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