• Agata Macedo

Avanços e dificuldades no cenário dos eSports em Boa Vista.

Atualizado: Out 4

O cenário dos eSports vem crescendo consideravelmente no Brasil e no mundo, trata-se de competições de jogos eletrônicos que possuem atletas profissionais e reúne atualmente milhões de espectadores. Por causa da pandemia, as competições em grande parte têm sido feitas de forma online, tendo apenas algumas etapas presenciais.


O cenário de eSports conta com competições de vários jogos, como Counter Strike: Global Offensive (CS:GO), Fortnite, Dota 2, Free Fire, League of Legends (LOL), entre muitos outros. A principal competição do eSports no Brasil é a CBLol, ficando à frente do CLUTCH Circuit de CS:GO e da LBFF do free fire.


Atualmente a maior organização de eSports do Brasil é a Loud, com mais de 25 milhões de seguidores em suas redes sociais e 1 bilhão de views no Youtube. Em seguida vem a organização Los Grandes com mais de 8 milhões de seguidores e em terceiro Corinthians e-Sports com mais de 5 milhões.



(Imagem retirada da web)


Em Boa Vista o cenário dos eSports também tem tido um avanço, com atletas locais participando de campeonatos nacionais, chegando a finais e integrando grandes organizações de eSports, apesar da internet instável do estado.

Em abril, atletas da Universidade Estadual de Roraima (UERR) ficaram em 4º lugar na modalidade Free Fire nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs). As fases qualificatórias e eliminatórias ocorreram de forma online, já a semifinal e a final foram presenciais em Brasília.

O time era formado pelos estudantes do 3º semestre de Bacharelado em Educação física, Lucas Forte (LUC4S STRONG), João Roberts (ROBERTS), Francisco Eliakim Mineiro (KIM7) e Yan Almeida (YAN7).


(FOTO: Arquivo pessoal disponibilizado pelo atleta Lucas Forte)


O atleta Luc4s Strong contou um pouco sobre sua trajetória no jogo, como o time iniciou e como eram os treinos. Luc4s começou a jogar Free Fire em 2017 quando um amigo indicou o jogo à ele, inicialmente jogava por diversão, mas participar de um campeonato se tornou um sonho. Segundo Strong, os integrantes se conheceram durante as aulas presenciais na faculdade e já começaram a jogar juntos, até que no início do ano, o atleta Francisco Eliakim os convidou para formarem o time.


Luc4s conta que não foi fácil parte da jornada até a final, “Foi muito difícil, no modo Battle Royale as outras equipes jogavam de forma mais recuada, o que atrapalhava muito a gente a impor o nosso jogo. Tiveram 2 fases nesse modo, se classificavam 16 equipes para o modo 4x4, modo qual seria jogado em Brasília na final. Nós nos classificamos em 15° lugar, sofrido, mas foi, quando foi no modo 4x4 a gente encaixou bem o nosso jogo, e ganhamos de 2x1 o primeiro jogo, e de 2x1 também o segundo jogo contra a Universidade Federal do Acre, e assim, nos classificamos para etapa presencial em Brasília”.


Houve um processo burocrático com documentos e exames, mas de acordo com o atleta o time recebeu total apoio da Presidente da Federação Universitária de Esportes de Roraima (FUER), Elaine Morellato. Além da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) , com os testes de covid, hotel e todo apoio que era preciso.

O atleta acredita que o cenário pode crescer mais ainda em Boa Vista, “Tem muitas empresas entrando com apoio forte, tem muitos jogadores bons que ainda são desconhecidos, tem a Wild e a Caburaí que são times que eu vejo muito nas redes sociais, participando e realizando eventos. O Free Fire tem tudo pra evoluir em Roraima”, acrescenta.


Ele finaliza dizendo que pretende continuar no cenário e mais forte ainda, com mais experiência para levar Roraima para o topo. O atleta também já foi campeão fora do estado em campeonatos que não são do meio universitário, disse que pretende voltar à ativa e ser campeão novamente.

(FOTO: Arquivo pessoal disponibilizado pelo atleta Lucas

Forte)


INTERNET INSTÁVEL DE BOA VISTA É UMA DAS DIFICULDADES ENCONTRADAS PELOS STREAMERS


Os jogadores de eSports precisam de uma boa conexão de internet para jogar online, sabemos que a internet de Boa Vista tem sido falha, tendo a fibra rompida algumas vezes. Enoque Mesquista, conhecido como SHINN, é streamer desde 2018, joga Dota 2 e integra o time Real Deal e-Sports. Inicialmente jogava apenas por diversão, mas em 2020 a stream se tornou um trabalho e passou a fazer parte da sua renda e sustento.


Shinn conta que sua inspiração foi um jogador Ucraniano chamado Dendi, depois de assistir ao filme do jogador “Dota 2 Free to play” em 2013, decidiu que queria trabalhar com algo relacionado a games.


O streamer conta que em 2016 havia mais campeonatos e isso estimulava os jogadores, mas por falta de investimento e agora com a pandemia esses campeonatos são raros, mas ainda existem pessoas que querem se profissionalizar e obter resultados. Uma das maiores dificuldades que o streamer tem é a internet de má qualidade, “Ser streamer em Boa Vista é muito complicado, pois a internet não é constante. Para você ser um streamer, você não precisa ter a melhor internet do mundo, basta uma internet que seja constante em algum horário, eu encontrei isso apenas na madrugada e ainda sim, algumas vezes tinha certos problemas de conexão, o que torna mais difícil trabalhar, mas por muito tempo conseguir levar o trabalho para frente”, diz.


O atleta ainda conta da vez em que ia jogar uma qualificatória para o CBDOTA (Campeonato Brasileiro de Dota 2) e faltou energia na cidade, quando a energia voltou, sua internet caiu. Ele teve que ir até a casa de um amigo para conseguir participar da competição e o time venceu de de 4 contra 5. “Em resumo, eu cheguei e consegui jogar os próximos jogos da casa dele, nós vencemos uma competição entre 50