• Yohanna Emmelly

Análise aponta rumores sobre efeitos adversos da vacina na região norte

Pesquisa foi realizada pelo projeto Enraizado na Confiança 2.0 da Internews

Foto: Reprodução Internet

Divulgado na última terça-feira (03), a nova edição de cards informativos produzido pelo projeto Enraizado na Confiança 2.0 da Internews aponta rumores sobre efeitos da vacinação contra a Covid-19. O rumor compara os efeitos que supostamente ocorrem após a vacinação com efeitos do envelhecimento.

A análise foi realizada no último mês, por meio de um monitoramento das mídias sociais. De acordo com o levantamento, a tendência é que esses rumores sobre os efeitos a longo prazo da covid-19 e temas relacionados a vacinação se tornem cada vez mais comum.


Ainda segundo o estudo, conforme a vacinação avança e as medidas de contenção da pandemia vão diminuindo, a preocupação com a saúde no período pós-pandemia se torna um assunto cada vez mais frequente.


Segundo Fernanda Nunes, oficial de gestão da informação da Internews Brasil, na análise de rumores, os analistas trabalham primeiro na identificação dos fatores verdadeiros ou falsos presentes nos rumores em circulação nas redes sociais.


“Um dos objetivos é entender o porquê de um determinado rumor ganhar relevância em determinado contexto. Isso pode acontecer devido alguma notícia especifica, uma declaração de algum político ou autoridade, ou algum evento que está afetando a comunidade, por exemplo. Nesse processo, a equipe também procura especialistas, referências locais no assunto particular do rumor”, diz ela.

COVID longa

Os temas variam de acordo com o tempo, mas os rumores mais encontrados foram relacionados a ‘COVID longa’. No caso desse tipo específico, alguns sintomas não melhoram por semanas ou meses. As chances de desenvolver COVID longa não parecem estar associadas a gravidade dos sintomas que a pessoa apresentou enquanto infecta pelo vírus.


“Nosso conteúdo busca trazer um pouco do contexto que vemos, nesse caso identificamos um aumento de rumores sobre efeitos a longo prazo de uma infecção por COVID-19, o que pode significar um maior interesse da população, ou até mesmo necessidade, em informações sobre o assunto.”, afirma.

Conforme a linha do tempo divulgado pelos cards, após a vacinação o sistema imunológico se adapta e a vacina passa a fornecer proteção. Nesse período, o corpo humano cria novas células de defesas, os anticorpos neutralizantes, específicas para o coronavírus. Já foram aplicadas 11 bilhões de doses de vacinas contra a COVID-19 e até o momento não existem estudos que comprovem a existência de efeitos colaterais de longo prazo.


No caso deste rumor específico, envelhecer, ou ter alguma condição de saúde que requer atenção especial e depende do SUS pode significar uma vulnerabilidade ainda maior. Além disso, a COVID longa ainda é uma condição recente, afinal só foi identificada em maio de 2020 e sintomas podem se manifestar depois de 6 a 11 meses da infecção. A OMS estima que entre 10% e 20% daqueles que se curaram da COVID-19 apresentem essas alterações.


“Sobre esse rumor específico, acredito que o momento que vivemos agora, cria um ambiente onde as pessoas podem confundir o que está causando as sequelas da COVID, ou até mesmo sintomas da ansiedade/stress que vivemos. Podem escolher culpar a vacina, quando não há evidências que apontem para isso.”

Rumores que despertam hesitação sobre a segurança das vacinas podem gerar medo e desconfiança das pessoas em se vacinarem. Outro fator é as descobertas recentes sobre a doença, além das mudanças constantes em relação as políticas públicas relacionadas a COVID-19 podem gerar confusão. No entanto, as vacinas ainda são a principal forma de prevenção contra a covid-19.


“Acredito que os conteúdos que dialogam com medos ou preocupações já existentes, e podem geram mais dúvidas ou inseguranças. E quando se trata de algo tão importante como a saúde e bem estar, muitas pessoas preferem não assumir riscos, mesmo que esse risco só exista nos rumores.”, finaliza.
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