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Abandono e adoção de animais tiveram aumento na pandemia

Por: Fernanda Vasconcelos


COMAC e SINDAN divulgaram pesquisa que relata o aumento no abandono e também na adoção de animais durante a pandemia.



Foto: Fernanda Vasconcelos


Segundo pesquisa realizada pela COMAC (Comissão de Animais de Companhia) e SINDAN (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal), divulgada em coletiva de impressa em 23 de julho de 2021, estima-se que 10 milhões de animais foram abandonados durante o período de isolamento social.


O número de abandonos aumentou após muitos tutores perderem o emprego devido à pandemia, como explica a presidente da Associação Roraimense de Cuidados aos Animais (Arca), Paola Silva.


“Nós percebemos uma diminuição das doações para a ONG por causa do período e também percebemos um aumento de pessoas que por decorrência de diminuição de renda ou de se mudarem para lugares mais em conta, queriam doar os seus animais.”

Nesse momento de pandemia as ONG’s que sobrevivem de ajuda de pessoas físicas, estiveram em apuros já que o número de desempregados aumentou e assim o número de doadores e voluntários dessas associações também.


“Todos os custos, tanto de medicamentos, ração e custos veterinários, tudo é custeado por meio de doações de pessoas físicas que se sensibilizam com a causa e querem apoiar o nosso projeto. Nós não recebemos nada do governo, nem da prefeitura, nem de políticos, nada.” Acrescenta Paola Silva.

Confira a entrevista completa de Paola Silva aqui.





Assim como a Arca, a Rede de Apoio e Defesa dos Animais de Roraima (Radarr) também sofreu as consequências da pandemia. A associação que cuida de mais de 200 animais além da falta de ajuda governamental também sofreu com a alta taxa de abandono dos animais na porta do abrigo.


“Os animais chegam aqui através de resgates ou de pessoas que abandonam, muitas vezes abandonam aqui na frente e nós nos vemos na obrigação de coloca-los para dentro e muitas pessoas que adotam e depois viajam e imploram a nossa ajuda pois não tem com quem deixar o animal.” Explica Palmira Leão, vice-presidente da associação.

Assista o vídeo abaixo para saber um pouco mais sobre o trabalho da ONG Radarr:



O Abandono coloca a vida do animal em risco sendo configurado como crime. Quando se trata de cães e gatos a pena será reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição de guarda. Art.32 da Lei nº 9.605/98’’


Adoção Responsável


Foto: Arquivo Pessoal


A COMAC divulgou ainda em sua coletiva que 23% dos tutores adotaram seu primeiro pet na pandemia, para muitos o bicho de estimação serviu como companhia em um momento em que a população estava totalmente isolada e longe do contato humano.


Os dados apresentados mostram ainda que 84% dos gatos foram adotados e entre os cães e número foi de 54%, entre os tutores a predominância foi de pessoas que moram sozinhas.


Vinicius Rodrigues, foi uma dessas pessoas, o estudante se tornou tutor do primeiro animal de estimação no começo de 2021 quando encontrou o cachorrinho, hoje chamado "Chocolate", recém nascido e nas ruas. Para Vinicius o animal é uma fonte de alegria apesar das traquinagens.


"As vezes ele me estressa pois gosta de brincar de morder e sempre arranca as roupas do varal, mas é uma boa companhia e sempre que tenho tempo brincamos juntos, o que traz felicidade para nós dois."

Fernanda Fernandes também adotou sua cadela, “Dissimulada” no período pandêmico, o animal estava abandonado em uma praça, na chuva e sendo achado pelo irmão de Fernanda que o levou para casa. A acadêmica de jornalismo que tem uma filha de 1 ano e 9 meses conta que ter um bichinho é uma grande responsabilidade e o maior vínculo de sua cachorra é sua filha, Ana.


"A Dissimulada é como se fosse uma criança dentro de casa, hoje o maior vinculo dela é com a minha filha, é como se elas tivessem uma amizade. A Dissimulada tem ciúmes da Ana e não gosta que outras crianças cheguem perto dela e a Ana tem um carinho enorme pela Dissimulada."

Brenda Alencar hoje é tutora de 5 cachorros, todos foram adotados após serem encontrados nas ruas e Brenda explica que precisou de meses para que os dois primeiros animais se acostumassem com a família, pois já eram adultos e bravos.


“Foi uma fase um pouco complicada, mas depois de alguns meses eles foram se adaptando com a gente e hoje estão aqui.”

Brenda Alencar conta um pouco sobre sua experiência com 5 animais resgatados:




O médico veterinário, Pedro Travassos alerta que animais resgatados das ruas precisam passar por exames para saber se estão seguros e livres de doenças. Apenas um profissional da área é capaz de definir as condições em que o animal se encontra e se deve ser vermifugado ou vacinado.


“As doenças mais comuns que encontramos em animais de rua são normalmente as crônicas como animais com acaro há bastante tempo ou com verme. Infelizmente em alguns casos esses animais já estão com doenças bastante graves como a Cinomose que em casos mais avançados não tem cura e o animal precisa ser eutanasiado.”

Confira na integra a entrevista com médico veterinário Pedro Travassos:



Para fazer a adoção de um animal de forma responsável é preciso ter a consciência de que um pet necessita de alimentação, atenção, carinho, um lar saudável, vacinas e medicamentos, ter um animal é uma grande responsabilidade.


Para adotar em uma das associações de proteção o tutor passa por uma entrevista, visitas ao local onde o cachorro vai morar e supervisão dos cuidados com os animais, caso esse animal não esteja sendo bem tratado, as protetoras podem pegar o animal de volta para os abrigos.


“As vezes em nossas visitas a gente verifica que o animal não está tão bem cuidado como deveria e nós pegamos de volta, nós temos o maior cuidado pois já que eles estão aqui, eles são parte da família Radarr.”
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