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A Amazônia na roda de discussão crítica da comunicação latino-americana

  • Foto do escritor: Amazoom
    Amazoom
  • 20 de mai.
  • 3 min de leitura

X Colóquio Internacional de Investigação Crítica em Comunicação reúne pesquisadores da América Latina e da Europa, com participação de docentes do PPGCOM/UFRR em debates sobre etnocomunicação, inteligência artificial, audiovisual indígena, jornalismo, cidadania e resistência nos territórios digitais.



Entre os dias 26 e 28 de maio de 2026, a comunicação crítica vai atravessar fronteiras, telas e territórios durante o X Colóquio Internacional de Investigação Crítica em Comunicação, promovido pela Rede AMLAT, em parceria com o Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia (PPgEM/UFRN), a Cátedra Michèle & Armand Mattelart e o Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina (CIESPAL). O encontro será realizado em formato híbrido, com atividades presenciais no auditório do Labcom, na UFRN, e transmissão remota para participantes de outras regiões e países.


O colóquio abriu inscrições na terça-feira, 12 de maio. Estudantes regulares do PPgEM devem realizar matrícula pelo SIGAA, na disciplina Epistemologias da Comunicação. Já participantes externos, incluindo graduandos, podem se inscrever por formulário online. Haverá certificação para quem acompanhar pelo menos 75% da programação.

A programação confirma aquilo que toda boa investigação crítica já sabe: a comunicação não mora apenas nos livros, nos laboratórios ou nas telas. Ela respira nas aldeias, tropeça nos algoritmos, dança nas periferias, se esconde nos dados, reaparece nos corpos e insiste em fazer perguntas onde o mundo tenta impor respostas prontas.

Nesse cenário, a Universidade Federal de Roraima (UFRR) ganha destaque com a participação de professores vinculados ao campo da comunicação crítica e ao PPGCOM/UFRR. No primeiro dia do evento, 26 de maio, a partir das 9h30, os professores Lisiane Machado Aguiar e Vilso Junior Santi apresentam reflexões que colocam a Amazônia no centro do debate. Lisiane aborda “Cartografia audiovisual e comunicadores indígenas: documentário, memória e práticas de resistência em territorialidades digitais”, enquanto Vilso discute “Educomunicação e Inteligência Artificial: Das Mediações Algorítmicas ao Uso Sapiente da Técnica sob uma Perspectiva Crítica”. Mais tarde, às 14h, o professor Felipe Collar Berni, participa com a problemática “Problematizações sobre jornalismo, cidadania e capacitismo”.


As presenças do PPGCOM/UFRR não aparecem como detalhe protocolar, mas como sinal de uma comunicação que desloca o mapa. Do extremo Norte do Brasil, os pesquisadores levam ao colóquio temas que atravessam os debates mais urgentes da área: povos indígenas, inteligência artificial, territorialidades digitais, acessibilidade, cidadania, memória, documentário e práticas de resistência. É como se Roraima entrasse na sala não apenas como lugar geográfico, mas como encruzilhada epistemológica – uma daquelas regiões em que o jornalismo, a pesquisa e a vida social se encontram para perguntar: quem fala, de onde fala, com que tecnologia, contra quais silenciamentos?

 

Encontro de bússolas


O evento também reunirá nomes de diferentes universidades e países, como Alberto Efendy MaldonadoJuciano de Sousa LacerdaJiani Adriana BoninNísia Martins do RosárioAdrián PadillaNicolás Lorite GarcíaFranklin CornejoErick TorricoRoseli FigaroCicília Peruzzo, entre outros pesquisadores do Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Equador, Chile, Argentina e Espanha.

Ao longo dos três dias, serão debatidos temas como pesquisa de recepção, comunicação periférica, guerra cognitiva, diversidade audiovisual, comunicação popular, gênero, juventudes, saúde mental, povos indígenas, dados doados, plataformização, soberania digital, desinformação e epistemologias indígenas.

Mais do que um evento acadêmico, o X Colóquio funciona como uma espécie de assembleia de bússolas. Cada mesa aponta para um território em disputa. Cada pesquisa acende uma pequena lanterna contra a névoa das respostas fáceis. Para pesquisadores, especialmente aqueles que ainda estão aprendendo a farejar o mundo com olhos de investigadores, a programação oferece uma lição preciosa: investigar comunicação é investigar poder, linguagem, técnica, memória e vida cotidiana ao mesmo tempo.


Professores do PPGCOM/UFRR Lisiane Aguiar, Vilso Jr Santi e Felipe Berni participantes do

X Colóquio Internacional de Investigação Crítica em Comunicação. Foto: Arquivo pessoal.


O colóquio acontece porque a comunicação, em tempos de algoritmos velozes e democracias cansadas, precisa recuperar sua vocação crítica. E, também, porque a América Latina tem muito a dizer quando deixa de ser apenas objeto de estudo e passa a falar com sua própria voz, seus sotaques, suas feridas e suas invenções.


No X Colóquio Internacional de Investigação Crítica em Comunicação, essa voz aparece múltipla: ora acadêmica, ora indígena, ora popular, ora digital – mas sempre inquieta, como quem sabe que pensar criticamente é não deixar o mundo dormir em paz sobre as suas próprias injustiças.

 

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